
O melhor tempo no treino oficial para o GP da Inglaterra de Lewis Hamilton, com certeza, foi uma grande surpresa. O inglês ficou apenas com a 1ª posição no primeiro teste livre de sexta, daí em diante a Ferrari dominou os treinos e esperava-se que Kimi e Massa brigassem pela pole.
A situação para McLaren começou a mudar, quando o Alonso fez o melhor tempo no treino livre deste sábado, antes do treino oficial. E o espanhol, de fato, foi rápido na 1ª e 2ª parte do treino para o grid de largada em Silverstone. Na 3ª parte do treino, desenhava-se já uma briga entre Alonso, Massa e Kimi. Mas surpreendentemente Hamilton fez uma volta fantástica e cravou o melhor tempo do treino oficial.
O piloto inglês da McLaren não vinha andando bem no seu país natal. Suspeitava-se até que ele sentia com a pressão de ser líder do campeonato, e ter que vencer em casa para alegria dos torcedores ingleses. Ao mesmo tempo, havia um desânimo na equipe, por conta de todo o caso de espionagem envolvendo um de seus projetistas e um ex-funcionário da Ferrari. Mas isso reflete em amadurecimento de Hamilton como piloto.
Há pouco tempo, afirmei que Lewis só poderia ser considerado um fenômeno quando tivesse que enfrentar adversidades que pudessem comprometer o rendimento dele na pista. A pressão de correr em casa, a questão da espionagem, são adversidades que agem sim no emocional de um piloto. E Hamilton, mesmo criticado por ter errado no treino de sexta (ele rodou na segunda sessão de treinos), manteve-se equilibrado, e no último fôlego, na última concentração, como se fosse aquele técnico de futebol que larga a escalação do time 10min antes do jogo, foi para pista e mostrou porque é um piloto com um talento fora do normal, e que pode sim ser um fenômeno em um futuro próximo.
Destaque no treino também é a 6ª colocação do alemão Ralf Schumacher, que mostra que ainda é um piloto competitivo, e que quando quer pode sim buscar um bom resultado. Já há algumas semanas, comenta-se que a Toyota não renovará o contrato do piloto alemão, e que Ralf encontraria dificuldades para encontrar outra equipe na F-1, e que deveria deixar a categoria. Nessa semana, em Silverstone, Ralf até se pronunciou, e disse que estava disposto a ganhar menos para continuar correndo na principal categoria do automobilismo mundial. É bom ressaltar também, como já citei em uma matéria sobre reaproveitamento de conceitos, que o pacote aerodinâmico da Toyota para Silvestone trouxe um melhor rendimento para o carro; parece que alteração na tampa do motor vale a pena mesmo.
O que me deixou feliz, e já deveria ter comentado isso após o GP da França, é o rendimento do Robert Kubica. Ele cravou o 5º melhor tempo no treino oficial em Silverstone, e mostra que realmente o acidente no Canadá não afetou o estilo dele de pilotagem. Kubica cresce nessa altura do campeonato, e lembrando que ele é familiarizado com as pistas européias, por ter saído recentemente das categorias de acesso a F-1. Se Heidfeld comandou a primeira parte do campeonato, agora Kubica é forte favorito a colocar sua BMW na frente do companheiro.
O GP da Inglaterra promete emoções, a Ferrari aparentemente tem um melhor rendimento para corrida, mas os tempos de Hamilton e Alonso mostram que a McLaren quer vencer \nem casa. E a pista de Silverstone favorece uma boa briga, e teremos sim uma prova com muitas ultrapassagens. Não gosto de comentar sobre previsão de chuva, principalmente na Inglaterra, mas a corrida ficaria emocionante se houvesse uma mudança de tempo durante a prova.
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