sábado, 6 de outubro de 2007

Comentários do treino oficial na China

Lewis Hamilton provou que é o virtual campeão da temporada. Com a pole na China, penúltima etapa do calendário 2007, o inglês larga nesta madrugada de sábado para domingo, exatamente às 3 da manhã, para conquistar o campeonato da F-1. Sempre bom lembrar, que é o ano de estréia de Hamilton na categoria mais importante do automobilismo mundial.
A pole de Hamilton é significante, já que durante todos os treinos livres, a Ferrari comandou com Raikkonen os melhores tempos. Aliás, a equipe italiana ficou com o segundo e terceiro lugares no grid, respectivamente com Kimi e Massa. Alonso, o vice-líder da temporada e que precisa chegar a frente de Hamilton na corrida desta madrugada para ainda brigar pelo título na última etapa aqui no Brasil, ficou apenas com o quarto lugar e ver suas chances minimizadas pela pole do jovem Hamilton.
O treino oficial em si foi bem disputado, não dava para ter a idéia exata de quem seria o pole position. Desde o Q1 (primeira parte do treino oficial) desenhou-se o favoritismo de Kimi Raikkonen que já liderara os treinos livres da sexta-feira e do sábado em Xangai. Mas ao mesmo tempo, pela pouca distância entre os tempos dos quatro primeiros colocados, ficava difícil de afirmar se realmente a coerência do mais veloz nos treinos livres permaneceria no treino oficial. Mesmo assim, é provável que o líder da temporada tenha feito a volta mais rápida com menos combustível que seus adversários, e isso pode ser crucial negativamente numa estratégia de corrida.
Aproveito a oportunidade mais uma vez para atestar que a Rede Globo não transmitiu o treino oficial ao vivo. As imagens estavam com atraso de aproximadamente 8 minutos; semana passada, no Japão, este atrasou foi de 11 minutos. Sinceramente, é um desrespeito aos amantes do automobilismo que ficam acordados até altas horas da madrugada para acompanhar a transmissão do treino. Tudo bem que a primeira parte do treino não é tão emocionante, mas deveria se aproveitar as imagens em tempo real, com o início da transmissão da FOM (Formula One Management), onde há a possibilidade de acompanhar a movimentação no paddock e os pilotos com seus preparativos para entrar nos cockpits dos carros; as imagens não deixam de ser interessantes; imagens recuperadas e editadas não transmitem a mesma sensação de imagens ao vivo. Mas é uma opinião minha, talvez não seja o que todos pensam, e defendo o argumento principalmente considerando a importância deste final de temporada.

Ainda referente à transmissão, a FOM divulga neste GP da China um novo gráfico, que é muito interessante; mostra a temperatura dos pneus. A importância deste gráfico é direcionada no sentido que hoje em dia o comportamento dos pneus em um F-1 interfere em qualquer recurso de rendimento dos carros. Seria interessante acompanhar este gráfico durante uma perna da prova (antes da primeira troca de pneus, por exemplo) de algum piloto para ver o comportamento do carro relacionado à durabilidade do pneu.

Ainda sobre o treino, ressalto o crescimento da equipe Red Bull nesta fase final do campeonato. Realmente, o time do escocês Coulthard e do australiano Webber quer tirar da Williams a quinta posição no mundial de construtores; a diferença é de 10 pontos. Coulthard larga em quinto e Webber em sétimo lugar. Enquanto isso, Renault e Williams decepcionaram. Depois do segundo lugar no Japão, Heikki Kovalainen teve de se contentar com o 14º lugar, enquanto Giancarlo Fisichella foi pior: 17º. Do lado dos ingleses, Nico Rosberg larga apenas em 16º, três posições à frente de Alexander Wurz. Outra surpresa do treino, talvez até influenciado pelo já declarado desligamento da sua equipe para próxima temporada, foi o belo tempo do alemão Ralf Schumacher, que larga em sexto amanhã na China. Mas já arrisco que o Schumacher deve parar cedo nos boxes; deve ter pouco combustível no seu tanque. E mantendo a boa fase, o inglês Jenson Button mais uma vez colocou seu Honda no Top 10; ele larga em décimo. E mantendo a péssima fase, seu companheiro de equipe, o brasileiro Rubens Barrichello, ficou apenas com o décimo sétimo tempo. E neste GP da China ele pode igualar o seu pior resultado na F-1. Barrichello pode completar 16 GPs sem marcar pontos. A última vez foi entre a segunda metade da temporada 97 e a primeira metade do campeonato de 1998, ou seja, este ano seria a pior temporada do brasileiro na categoria, sem nenhum pontinho. A torcida fica para que o brasileiro se recupere em casa, em Interlagos no dia 21 de outubro.
Ainda sobre o Rubinho, há uma esperança por um bom resultado amanhã. É que a previsão do tempo afirma que há a possibilidade de 90% de chuva durante a corrida. E tal previsão é ainda mais segura, visto que um tufão se aproxima da cidade de Wenzhou, que fica no litoral e ao sul de Xangai, onde será disputado o GP. Isso garantiria ainda mais emoção à penúltima etapa da F-1 em 2007. É só lembrar da última etapa no Japão e do GP da Europa na Alemanha.

Quanto aos palpites para a prova da madrugada deste domingo, acredito em uma vitória da Ferrari, provável que do finlandês Kimi Raikkonen, que precisa vencer para continuar com chances de conquistar o título. Mas o brasileiro Felipe Massa anda mordido com o baixo rendimento durante o ano e deve mostrar serviço nessas duas últimas etapas; a Ferrari liberou a briga entre os pilotos. Já na McLaren a briga deve ser interna, já que Alonso precisa chegar na frente de Hamilton para adiar para o Brasil a disputa do título. Com chuva, qualquer palpite não tem validade, é uma loteria! Caso a prova seja disputada em pista molhada, com chuva, tufão ou furacão, fiquem de olho no Kovalainen, no Vettel, no Webber, no Button e no Barrichello, na irregularidade do Massa e na regularidade do Hamilton, que é certeza de muita emoção. Retorno com os comentários da prova neste domingo e espero que a conquista do título do Hamilton seja adiada para o Brasil. Deixo explícita, portanto, a minha torcida pelo título do inglês, mas no Brasil!

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